Já é importante começar dizendo que se esperar fazer as coisas que quer, nunca fará nada.

A escrita é uma daquelas coisas que exige prática. Se não começar o quanto antes, nunca ficará satisfeito com resultado nenhum.

Tem algo particularmente peculiar em tentar escrever um livro – meu caso – enquanto ainda estamos descobrindo como queremos viver nosso própria livro da vida.

Escrever sempre pareceu às pessoas à minha volta uma atividade que pedia algum tipo de maturidade. Sempre que citava minha vontade de um dia escrever um livro, recebia em reação respostas do tipo: “mas você vai escrever sobre o que? nunca fez nada”.

Na verdade, não precisamos viver para escrever, histórias são frutos de imaginação humana, não necessariamente vivências. Realmente precisamos conhecer tudo o que há de mais verdadeiro neste mundo para escrever sobre ele?

Para ser sincera, uma das coisas que mais gosto enquanto crio um universo novo, com pessoas novas, regras mirabulantes, é o fato de nada ser real. Ninguém gosta tanto assim do que é real, senão não teríamos tantas mitologias tentando explicar acontecimentos que ainda não entendemos com profunda certeza.

Acredito que exista magia nas palavras, em seus conjuntos, nas histórias. Pessoas vira e mexe juntam um montante delas que te fazem chorar, sorrir, refletir, voltar atrás… Isso é escrever, e a majoritaria maioria começou sem saber.

Atualmente, estou escrevendo O Que Quase Fomos, um romance que, de diversas formas, tem sido também um exercício de descoberta. Não apenas sobre o que quero contar, mas sobre como quero contá-la.

Escrever um livro é bem diferente de gostar de escrever. É preciso aprender a escutar sua história, entender o que realmente importa e, consequentemente, ter coragem de abandonar aquilo que não está funcionando. Livros hão de ter uma profundidade para além de nossas primeiras impressões.

De fato, não tenho décadas de experiência com a vida, não conheço todas as respostas que talvez um dia encontre. Sinda estou formando minhas opiniões sobre relacionamentos, escolhas, responsabilidades, e inúmeras contradições que fazem parte de ser humano.

Talvez isso seja justamente o que torne a escrita interessante.

Não sei exatamente o que será de O Que Quase Fomos quando estiver terminado, mas sei que ele será terminado. Terei escrito um livro e publicado ele em junho de 2027. Pode não ser o livro perfeito, mas irá existir, será uma experiência a mais no álbum da vida, e se tudo sair como o planejado – o que eu sei que não vai acontecer -, será o primeiro de muitos!

Achar que existe idade certa para começar é iignorância pura. Não precisamos esperar até nos sentirmos suficientemente preparados para começar a criar alguma coisa que importa para nós mesmos.

Ás vezes, a maturidade que as pessoas tanto veem como necessária não vem antes ou depois da experiência, ela acontece e se solidifica durante o processo

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“Nothing in life is to be feared. Is is only to be understood.”

– Marie Currie